Com a chegada do verão, o aumento das temperaturas, do suor e da exposição à água do mar e da piscina exige cuidados extras com a saúde da região íntima. O calor intenso cria um ambiente favorável à umidade prolongada na área genital, condição que pode facilitar o surgimento de irritações e infecções, especialmente quando hábitos simples de higiene são negligenciados.
Em reportagem publicada pelo gshow, especialistas alertam que pequenas mudanças na rotina fazem diferença significativa na prevenção de problemas íntimos durante a estação mais quente do ano. A ginecologista Núbia Fontes e a pediatra Ana Carolina Viegas explicam quais cuidados devem ser priorizados e quais comportamentos merecem atenção especial — sobretudo entre adolescentes.
Segundo Ana Carolina Viegas, a base da prevenção está na simplicidade dos hábitos diários.
“No verão, o principal cuidado é manter a região íntima limpa, seca e ventilada. Isso significa higiene diária apenas com água e, se necessário, sabonete neutro na parte externa, trocar roupas molhadas rapidamente e evitar ficar muito tempo com peças úmidas ou apertadas. Menos é mais: não precisa de muitos produtos, e sim de hábitos simples e consistentes”, destaca a pediatra.
Atenção ao uso prolongado de biquíni molhado
Entre os comportamentos mais comuns do verão que podem gerar riscos está permanecer com roupas de banho úmidas por longos períodos. A ginecologista Núbia Fontes chama atenção para esse hábito frequente nas praias e piscinas.
“Permanecer por muito tempo com biquíni molhado cria um ambiente quente e úmido, ideal para a proliferação de fungos e bactérias. O ideal é trocar o biquíni assim que sair da água e vestir uma peça seca”, diz.
Infecções mais frequentes na estação
De acordo com a especialista, o clima quente e úmido favorece principalmente o aparecimento de candidíase e vaginose bacteriana. Os sintomas costumam ser claros e não devem ser ignorados.
“Os sinais de alerta incluem coceira, ardor, corrimento com alteração de cor ou odor e desconforto ao urinar. Ao perceber qualquer um desses sintomas, é fundamental procurar um ginecologista e evitar a automedicação”, diz.
Uso excessivo de produtos íntimos pode ser prejudicial
Outro ponto destacado na reportagem do gshow é o uso indiscriminado de produtos íntimos. Apesar da promessa de higiene e frescor, muitos deles podem interferir negativamente na proteção natural da região genital.
“Muitos produtos íntimos podem alterar o pH da região, remover a proteção natural e até aumentar o risco de infecções. Se forem usados, devem ser específicos, suaves e sempre na parte externa. Duchas vaginais não são recomendadas. O corpo tem mecanismos naturais de proteção, interferir demais pode atrapalhar”, explica.
Entre as orientações gerais de higiene, os especialistas reforçam:
- Higiene apenas externa, com água e sabonete neutro;
- Evitar sabonetes perfumados, duchas vaginais e desodorantes íntimos;
- Secar bem a região, sem fricção excessiva;
- Trocar roupas íntimas e de banho úmidas rapidamente.
Medidas preventivas no dia a dia
Além da higiene, alguns cuidados simples ajudam a reduzir o risco de infecções:
- Trocar roupas suadas com frequência;
- Priorizar calcinhas de algodão;
- Evitar roupas muito justas e tecidos sintéticos;
- Dormir sem calcinha sempre que possível;
- Realizar a higiene perineal corretamente, da frente para trás.
Atenção especial à saúde íntima dos adolescentes
Na adolescência, os cuidados devem ser ainda mais reforçados. De acordo com dados citados na reportagem do gshow, entre 70% e 80% dos casos de vulvovaginites nessa faixa etária são considerados inespecíficos, ou seja, não infecciosos e relacionados principalmente à umidade excessiva e hábitos inadequados de higiene.
“O guia da SBP é claro ao afirmar que a umidade prolongada da região vulvar favorece maceração da pele e proliferação bacteriana e fúngica, aumentando risco de vulvovaginites. Portanto, o problema não é entrar no mar ou na piscina, e sim permanecer com a roupa molhada depois”, explica.
Entre os quadros mais comuns em adolescentes, predominam:
- Vulvovaginites inespecíficas (microbiota mista);
- Candidíase vulvovaginal;
- Vaginose bacteriana.
O consenso entre os especialistas é que informação, atenção aos sinais do corpo e hábitos simples são as principais ferramentas para atravessar o verão com saúde íntima preservada.