6 verdades sobre a saúde íntima feminina que toda mulher precisa conhecer

6 verdades sobre a saúde íntima feminina que toda mulher precisa conhecer - Foto: Logan Weaver

Apesar dos avanços no debate sobre o corpo feminino, muitos temas ligados à saúde íntima ainda são cercados por mitos, constrangimento e desinformação. Para ampliar esse diálogo e trazer informação baseada em medicina e ciência, este conteúdo foi elaborado a partir de informações publicadas originalmente pela Marie Claire Brasil, com apuração jornalística e explicações de especialistas da área.

A seguir, reunimos pontos essenciais sobre o funcionamento do corpo feminino que ajudam a desfazer equívocos comuns e a promover uma relação mais consciente com a própria saúde.

A vagina produz secreção e isso é absolutamente normal

A presença de secreção vaginal ao longo do dia é um processo fisiológico esperado. Ela resulta da renovação das células da mucosa vaginal e da produção de muco por glândulas internas, contribuindo para a lubrificação e proteção da região íntima.

“Essa secreção mantém o ambiente íntimo saudável, lubrifica a vagina, e protege contra infecções”, explica a ginecologista e obstetra Aline Ambrósio.

Em condições normais, essa secreção costuma ser transparente, sem odor forte e não provoca desconforto. Alterações de cor, cheiro ou consistência, especialmente quando acompanhadas de coceira ou ardência, merecem atenção médica.

“A secreção deixa de ser normal quando muda de cor (amarelada, acinzentada, esverdeada), fica espessa, em maior quantidade ou com aspecto grumoso. O cheiro também muda pode variar de atípico até cheiro de peixe podre. Essas alterações geralmente vêm acompanhadas de coceira, ardência, dor, cólicas fora do período menstrual e desconforto. São sinais de que pode haver uma infecção”, esclarece Rebeca Filgueiras.

Manchas na calcinha não indicam falta de higiene

É comum que roupas íntimas apresentem manchas com o tempo e isso não tem relação com descuido. O pH vaginal é naturalmente ácido, característica que ajuda a proteger contra microrganismos nocivos.

Essa acidez pode reagir com o tecido da calcinha, especialmente em fases como a ovulação, quando há aumento da secreção.

“Principalmente durante a ovulação, quando o PH fica ainda mais ácido e a secreção aumenta. Essas manchas não significam doença”, pontua Filgueiras.

Pelos fazem parte da anatomia feminina adulta

A presença de pelos na região íntima é natural e tem função protetora. A decisão de removê-los é pessoal e não está relacionada à higiene.

“Pelos recobrem a vulva, que é parte externa da vagina, reduzindo o atrito entre a pele e as roupas íntimas. Além disso, ele funciona como uma barreira protetora contra irritação e infecções”, explica Ambrósio.

Ela ainda completa: “Historicamente, em comunidades nudistas, os pelos protegem a temperatura e umidade da pele vulvar, e funcionam como barreira protetora da entrada da vagina”.

A vagina tem cheiro próprio e isso é saudável

A região íntima feminina possui um odor característico, resultado da flora vaginal e das variações hormonais ao longo do ciclo menstrual. Isso não indica falta de higiene.

“Ele é resultado da ação dos lactobacilos (bactérias boas da flora vaginal) combinada com as variações hormonais ao longo do ciclo. É um odor próprio, típico, que pode mudar, mas que faz parte do equilíbrio natural da região e asseio”, pontua Filgueiras.

A higiene adequada deve ser feita apenas na parte externa, a vulva, já que a vagina é autolimpante.

“Deve-se usar água morna ou fria ao limpar a região e um sabonete íntimo, com pH ácido, já que a maioria dos sabonetes comuns tem pH inadequado para higiene íntima”, orienta Ambrósio.

Ela também recomenda roupas íntimas de algodão e peças menos apertadas para preservar a saúde da flora vaginal.

“Dormir sem roupas íntimas e trocá-las diariamente, além de evitar protetores diários de calcinhas também”, completa a especialista.

Vulvas não seguem um padrão único

Cores, formatos e tamanhos da vulva variam amplamente entre as mulheres e todas essas variações são normais. A ideia de um padrão estético único é irreal e não tem base médica.

“Essas variações são normais e influenciadas por fatores genéticos, uso de roupas apertadas, diabetes, resistência à insulina (podem ficar mais escuras), e entre outros”, enumera Filgueiras.

Procedimentos estéticos são uma escolha individual, mas devem partir do entendimento de que diversidade anatômica não é sinônimo de problema.

Sons durante a relação sexual são comuns

Durante a relação sexual, é possível que o ar entre e saia da vagina, produzindo sons semelhantes a gases. Isso não está relacionado à higiene nem a disfunções.

“Esses barulhos existem, sim, e acontecem quando o ar entra na vagina geralmente durante a relação sexual e depois sai, gerando um som parecido com pum. Isso pode ser mais comum em mulheres que já tiveram vários partos normais e têm a musculatura vaginal mais relaxada, o que facilita a entrada e saída de ar. Então, por ela ser mais expandida, durante uma relação sexual pode não acontecer o total preenchimento dela, logo, fica mais fácil a entrada de ar que, ao sair, faz um barulho semelhante ao pum”, explica Filgueiras.

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