Raissa Durante - Photo: @emanuele_jeane_photographer

Em entrevista exclusiva à NYAHUP, Raissa Durante reflete sobre a sensualidade como linguagem uma construção que vai além da imagem e se manifesta na intenção, na presença e no silêncio. Com um discurso preciso e consciente, ela aborda poder, liberdade e autenticidade, revelando como o olhar, a delicadeza e a força coexistem diante das câmeras e fora delas. Mais do que performance, sua fala propõe a sensualidade como estado de consciência e afirmação de identidade.

Em que momento você percebeu que a sensualidade também é uma forma de linguagem, não apenas de imagem?

Quando eu percebi que ela não depende da nudez, mas da intenção.

O que em você desperta mais poder: o olhar que observa ou a consciência de ser vista?

O verdadeiro poder costuma residir no olhar que observa. Quem observa detém a interpretação e o domínio do ambiente. No entanto, a “consciência de ser vista” é o que transforma a presença em performance. O equilíbrio entre ambos cria uma aura de mistério: você sabe que está sendo olhada, mas o seu olhar comunica que você também está avaliando o mundo ao redor.⁠

Como você equilibra delicadeza e força na forma como se expressa diante das câmeras?

⁠⁠Tudo começa em mim, e sendo essa mulher delicada e muito sensual, diante das câmeras, esse equilíbrio é alcançado através da minha personalidade.

Existe um detalhe do seu corpo ou da sua presença que você considera sua assinatura silenciosa? Para você, a sensualidade nasce mais do corpo, da mente ou da maneira como se habita o próprio silêncio?

Não! O equilíbrio entre ambos cria uma aura de mistério, ⁠Muitas vezes, o detalhe que define alguém não é uma característica física óbvia, mas a maneira como a pessoa ocupa o espaço vazio ao seu redor. É a “calma” que ela projeta mesmo em ambientes caóticos.

O que muda em você quando está sozinha em comparação com o momento em que está sendo fotografada?

Quando estou sozinha estou no meu conforto e sem a pressão de julgamentos me sinto livre; quando estou fazendo fotos automaticamente me torno a narradora da história visual. O que muda é a intenção de cada gesto; o movimento deixa de ser apenas funcional e passa a ser expressivo e com o objetivo certo.

De que forma a liberdade de ser quem você é influencia a maneira como o desejo se manifesta na sua imagem?

A liberdade de ser quem se é remove o “ruído” da performance forçada. Quando há autenticidade, o desejo manifestado na imagem deixa de ser um convite para o outro e passa a ser uma celebração de si mesma. Isso torna a imagem mais potente, pois não busca aprovação, mas sim o reconhecimento de uma identidade plena.

 

 

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