Para esta capa exclusiva da NYAUP, Stella Scafarto surge com uma presença que se impõe de forma natural e envolvente. Em um universo visual muitas vezes marcado por excessos e expectativas externas, ela escolhe um caminho mais consciente: transforma a câmera em extensão da própria voz e assume total autoria sobre sua imagem, seu ritmo e sua narrativa.
Aqui, a sensualidade é leve, segura e autêntica. A confiança nasce do domínio criativo, da liberdade de experimentar e da conexão profunda consigo mesma. Esta matéria de capa celebra uma linguagem visual pulsante, onde presença, sensibilidade e força caminham juntas, convidando o olhar a desacelerar, sentir e se encantar com imagens que permanecem muito além do instante capturado.
O que faz você se sentir mais confiante quando está diante da câmera?
Isso vem do controle criativo total que tenho sobre a minha imagem. Quando eu mesma defino o cenário, a iluminação e o enquadramento, não sou apenas o objeto da fotografia — sou a narradora da minha própria história. Ser minha própria fotógrafa me permite retirar o filtro das expectativas alheias e elimina qualquer autoconsciência excessiva. Essa solitude diante da lente me dá liberdade para experimentar sem julgamentos, e é nesse espaço de autonomia absoluta que nasce a minha confiança mais autêntica.
Geralmente isso acontece nos momentos intermediários. Não está nas poses grandes ou dramáticas, mas na forma como ajusto uma alça, em uma respiração mais profunda ou na maneira como a minha pele reage a um determinado tecido. A sensualidade é apenas uma forma elevada de conforto. Quando estou completamente à vontade no meu próprio ritmo, ela simplesmente transborda.
Como o silêncio molda a intensidade da sua presença durante um ensaio fotográfico?
O silêncio age como um holofote para a alma. Sem música ou conversas, o ar do estúdio se torna denso de uma forma bonita. Ele me obriga a me comunicar mais pelos olhos do que pelo corpo. Nesse estado de quietude, cada microexpressão ganha mais peso, e a câmera capta pensamentos que eu nem sabia que estava tendo.
O que você prefere revelar por meio de uma imagem: força, mistério ou vulnerabilidade?
Escolho a vulnerabilidade, porque acredito que ela seja a forma mais honesta de força. Existe algo extremamente poderoso em olhar para a lente e mostrar uma parte crua de si, sem armaduras. O mistério é ótimo para atrair, mas é a vulnerabilidade que faz as pessoas se lembrarem do rosto.
De que maneira a sua história pessoal influencia a forma como você expressa sensualidade?
Minha história é sobre aprender a ocupar o meu próprio espaço. Por muito tempo, acredito que muitas de nós somos ensinadas a sermos bonitas para os outros. Hoje, a minha sensualidade vem de um lugar de retomada de si. É um diálogo interno no qual não estou tentando seduzir quem observa, mas celebrando a relação que tenho comigo mesma.
Que sentimento você gosta de despertar em quem observa as suas imagens?
Eu adoro quando alguém olha para uma foto e sente uma espécie de déjà vu. Não porque já tenha visto aquela imagem antes, mas porque reconhece a emoção. Quero que a pessoa sinta uma intimidade silenciosa, como se tivesse acabado de entrar em um ambiente e compartilhado um segundo secreto com um desconhecido.
Para você, o que transforma uma fotografia em algo verdadeiramente memorável, para além da estética?
A verdade do momento. Uma foto tecnicamente perfeita pode ser esquecida em segundos. Mas uma imagem que captura um lampejo genuíno de dúvida, alegria ou desejo — mesmo que esteja levemente desfocada ou imperfeita — é aquela que permanece. Uma fotografia memorável não mostra apenas uma pessoa, ela conta como foi estar ali.